"Eu nunca gostei de proteção, estou constantemente sozinha, sou apontada contra as minhas fraquezas, sou odiada.
Dependo de química, de um modo ou de outro; sou um mundo cheio de estragos.
Uso tudo a meu favor, tudo como uma malha descartável. Indivíduos são dispensáveis, os outros não me importam, sou duas vezes pior que o demônio.
Sou louca e transtornada.
Nunca matei ninguém, mas deixei muita gente à beira da morte física ou espiritual.
Não é bom se meter comigo. Meu coração é pontiagudo como lascas de explosão.
Eu não gosto de pessoas queixosas e nem das mães que batem nos filhos.
Os maus não cantam nem dançam. Não digo que sou má, mas digo que tome
cuidado. Sou de uma raça indomável. Já não digo mais mentiras porque perdi a imaginação, mas não há nada que seja confiável nas minhas verdades.
Abro os olhos e olho para o teto. Isso me dá vontade de pensar.
Eu também adivinhei formas nas nuvens e nem sempre elas eram agradáveis.
Então pulei a janela e pisei fundo no acelerador, entrei em contato com a grama e com as libélulas, e logo não havia mais grama e sim um tiquetaque prometedor, uma brusca ameaça de música e outros que como eu procuravam encrenca.
O amor como idéia é um pesadelo, um presente louco e impenetrável.
Desprezo as pessoas que fazem do amor um axioma, odeio as canções de
namoricos e decepção, prefiro queimar os neurônios nas encruzilhadas de
Spinoza e Kent.
'O amor é um limite e nos mede. Quando o amor se apaga é mais frio do que a morte. O ruim é que as duas extremidades não se apagam ao mesmo tempo e quando você é a extremidade que continua acesa, melhor seria estar morto.'
O ódio me mostrou muitas vezes que o tempo não existe. Agora essas palavras me rondam: 'Pode matar qualquer coisa. O problema agora é saber: Quanto tempo o cupim demora para devorar o bosque.' "